Notícias para 28/maio/2008
Mercedes vai cuidar da frota da Luft
Por Nivaldo Ferreira () Sem Comentários
Fonte:
Gazeta Mercantil
O Grupo Luft, um dos maiores transportadores e operadores logísticos do País – com faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2010 – começa junho com metade de sua frota operando sob manutenção entregue aos cuidados dos concessionários Mercedes-Benz.
O dentista Mário Luft, presidente do conselho de administração do conglomerado de 4,4 mil funcionários e frota total de 1,6 mil caminhões, que trocou o consultório dentário pelo transporte por entender que nessa atividade havia mais chance de realizações, considera que a decisão de operar com manutenção terceirizada deverá causar polêmica. “Foi uma virada de mesa nas minhas convicções. Tenho quase certeza que depois dessa reportagem publicada, vou receber ligações de muitas pessoas perguntando se a decisão é mesmo para valer“.
É para valer, foi assinada e tem duração de cinco anos. Cobre todos os caminhões com motores eletrônicos do grupo – cerca de 750 unidades – mais 47 ônibus, com injeção eletrônica, pertencentes à Leads Transportes, operadora de fretamento da filha de Mário, Andrea Luft.
Por R$ 12 milhões por ano o grupo terá serviços e peças cobertos – da simples troca de uma lâmpada a reparos na suspensão até intervenções em motores e caixas de câmbio. “Cobre peças e serviços. Os únicos itens não abrangidos pelo contrato de manutenção com a Mercedes-Benz são funilaria, lavagem e lubrificação e borracharia, que ficarão sob nossa responsabilidade“, diz o presidente do conselho do conglomerado.
Em São Paulo e Rio, onde os executores do contrato são os concessionários (Mercedes-Benz) Itatiaia e Guanabara Diesel, respectivamente, a operação será feita ”in house”, ou seja, o pessoal de manutenção dos concessionários atuará nas garagens do Grupo Luft. “Isso foi um dos pontos que discutimos com cuidado, pois entendemos que o tempo de deslocamento das nossas garagens às oficinas das concessionárias seria fator contraproducente“. Itatiaia e Guanabara Diesel, em suas áreas, cobrirão 70% das necessidades de manutenção da frota do grupo. Outras revendas, em Goiânia, Cuiabá, Londrina e Porto Alegre se encarregarão também da manutenção da frota do grupo.
Mário Luft, ao reconhecer que a empresa cresceu muito – em 1995 faturava R$ 10,.5 milhões, 1% do valor previsto para 2010 – admite que ele, como criador da manutenção própria, precisava assumir outras responsabilidades. “Precisamos ter mais tempo para as decisões estratégicas” – tarefa que divide com os filhos Luciano e Fernando e o irmão, Ademar Luft. “Foi muito bem pensado. A Mercedes sabe como operamos, termos motoristas muito bem treinados, frota nova, enfim, ela não está correndo riscos“, diz, para contar um detalhe. “Tanto assim que em nosso contrato receberemos todo final de mês relatório sobre o executado e os custos. Está previsto que se o valor a ser pago mensalmente estiver acima do custo da execução, seremos reembolsados“.
Congresso aprova punição mais rigorosa para quem dirigir bêbado
Por Nivaldo Ferreira () Sem Comentários
Fonte:
O Estado de São Paulo
28/5/2008
O Congresso aprovou ontem a Medida Provisória que libera a venda de bebidas no perímetro urbano das rodovias federais. Ao mesmo tempo, torna mais rigorosas as penas para os motoristas que dirigirem depois de consumir álcool, mesmo que não se envolvam em acidentes. Segundo alguns deputados, trata-se da política do “bêbado zero”. Quem for flagrado com qualquer índice de álcool no sangue estará sujeito a pagamento de multa e retenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por um ano. Se o índice estiver acima de 0,6 grama por litro de sangue, ficará sujeito a prisão de 6 meses a 3 anos.
Pelo novo texto, o motorista embriagado que se envolver em acidente com morte poderá ser processado por homicídio doloso (pena de 6 a 20 anos de prisão) e não mais por homicídio culposo com agravante, que permitia pena máxima de 6 anos. Essa mudança foi aprovada pelo Senado e mantida na Câmara dos Deputados.
Os motoristas embriagados que se recusarem a se submeter ao teste do bafômetro ou a outros exames poderão, a critério da autoridade policial, ser multados e perder a carteira de habilitação por um ano. Os que se submeterem ao teste e forem flagrados com mais de 0,6 grama serão levados à delegacia para registro da ocorrência, liberados em seguida e responderão a processo, sujeito à prisão.
Já os motoristas embriagados envolvidos em acidentes graves serão presos, sem a possibilidade de pagamento de fiança e o processo não será mais em juizado especial nem poderá ser arbitrada uma pena alternativa. Nesse rigor também estão incluídos os motoristas, mesmo sem nenhuma bebida, que atropelarem na calçada, na faixa de pedestre e no acostamento, a pessoa que estiver fazendo um pega ou racha e ainda o motorista que ultrapassar em local proibido.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a embriaguez, aliada normalmente à imprudência, está entre as principais causas de acidentes nas rodovias. O custo dos acidentes rodoviários no Brasil chega a R$ 22 bilhões por ano, somando gastos médicos, hospitalares, de perda de renda, remoção e recuperação de veículos, administrativos, judiciais e previdenciários, conforme números divulgados ontem pelo diretor de Estudos Urbanos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Piancastelli Siqueira, numa série de palestras em São Paulo.
SANÇÃO
O texto aprovado ontem vai agora à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá vetar alguns trechos. O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto Teles, informou que dará parecer favorável e Lula deve sancionar o projeto sem alterações. “Restituímos o espírito da MP 415 e atendemos o interesse público. Vai evitar muitas mortes estúpidas nas estradas”, disse.
Segundo o Ministério da Justiça, a liberação das bebidas nos trechos urbanos (que não fazia parte da proposta inicial) só atingirá 10% das estradas. A redação final referente à venda de bebidas está no meio do caminho entre a restrição total proposta pelo governo e a liberação absoluta aprovada no Senado.
O relator da MP na Câmara, Hugo Leal (PSC-RJ), aceitou três das sete emendas aprovadas no Senado, mas duas delas eram apenas ajustes na redação. A terceira foi a que facilita a abertura de processo por homicídio doloso para motoristas embriagados que causarem morte no trânsito.
“Seria incoerência se a Câmara permitisse a venda na área rural. Tiramos a proibição da área urbana porque havia um conflito com a lei de posturas dos municípios, mas não há motivo para tirar da área rural. Como há menos senadores, a venda acabou liberada na área rural. Mas 513 (deputados) pensam melhor do que 81 (senadores)”, afirmou o relator, depois de explicar os motivos para rejeitar a emenda do Senado que liberava a venda em toda extensão das rodovias federais. Os senadores argumentaram, ao liberar a venda, que os comerciantes, e não os motoristas alcoolizados, estavam sendo punidos.
A proibição da venda nas áreas rurais e urbanas ficará em vigor até a sanção da nova lei. O estabelecimento que vender bebidas na área proibida está sujeito à multa de R$ 1,5 mil. No entanto, grande número de estabelecimentos comerciais à beira das rodovias federais, dentro das cidades, tem vendido bebidas, graças a liminares obtidas na Justiça. Caberá a cada município deixar claro o limite do perímetro urbano, além do qual a venda de bebidas alcoólicas continuará proibida.
